Ultimamente, farto-me de ver artigos de emigrantes que regressam, ou estão a regressar, a Portugal. No outro dia, um casal dizia que resolveu voltar porque afinal aquilo que primeiro os atraíra para fora, deixara de fazer sentido e regressar para perto da família, tornara-se mais importante que a melhor qualidade de vida, do progresso na carreira ou tantas outras coisas.
Estar fora, e já faz algum tempo e por diversos lugares, fez-me aos poucos perceber que nada é garantido e sobretudo que as nossa pessoas que nos habituaram sempre com a sua presença não vão estar sempre lá. bem, o passar dos anos também ajuda. Conforme vamos crescendo, apercebemo-nos que os nossos avós, os nossos pais, a nossa família vai envelhecendo, ficando mais frágil e que ao contrário do que nos habituaram não vão lá estar sempre.
Mas isto serve igualmente para as nossas outras pessoas, os nossos amigos. Serve para todos. E se as relações são como jardins que têm de ser cuidados e regados, comecei a tentar cuidar ainda melhor só porque as minhas pessoas são demasiado importantes para deixar murchar.
E, por isso, digo muitas vezes o quanto gosto delas. Acho que nós portugueses não somos muito dessas coisas, se comparados com outras nacionalidades. Aqui, no grupo heterogéneo de amigos que tenho, "love you" anda muito nas conversas.
Hoje em dia, o tempo que passo com a minha família ou amigos em Portugal é de qualidade. Pouco mas bom. Porque muitas vezes quando vivemos perto, estamos tão habituados a ter as nossas pessoas logo ali e sempre que nos esquecemos de as aproveitar - "vamos amanhã!". Cada vez mais me tornei consciente que o amanhã está para vir e o melhor é viver o agora - "sim, vamos amanhã, mas tomamos café também hoje!"
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